"E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida."

— Machado de Assis, “Quincas Borba”

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O mergulho da vida

A vida tem uma forma estranha de nos surpreender. Umas vezes pela positiva e outras pela negativa. A paz parece não estar na equação da vida.

É como estivéssemos constantemente a nadar em crawl, a cada braçada é-nos apenas permitido uma inspiração, inspiração essa que exige de nós tudo, em prol da próxima inspiração. Talvez a expectativa seja mudar de estilo de natação, ainda que a piscina de 50 metros demore uns anos a ser atravessada. É uma verdadeira olimpíada, onde só o ouro importa pois tudo resto é prémio de auto-consolação.

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"Misery loves company…"

— Gossip Girl

Following what’s right

When you follow your heart with bravery, boldness and for what’s right, never doubt, you’re blessed! Which time you think your’re going backwards, you’re just aligning with your heart. Which time your’re about to loose hope, some light will take you from the dark. Which time you’re overwhelm, the weigh will fall and it will be just another step on your stairway toward heaven. I never doubt that heaven could actually be a place on earth, and what about that, it is… 

Happiness is a moment, but a moment that push you forward, branding you to the rest of your life… Never let those moments get behind, they are your life’s steam… 

Hold on to me

I’m sorry
I don’t know what to say
I don’t know what to do
I don’t know how it ends…

But…

In time of grieve
In times of unfairness
In times of defeat
I love you more

In times of fight
In times of tears 
In times of weakness
I believe you more

When you cry
My heart jumps to you
When you take your arms down
My go up

When can we rest?
When we get home?
When?
Where’s this taken us?

I don’t care, as long I’m with you…
Because together we can change anything
Because when you go down I go up
Because when you fall, you fall on my shoulder
Because when I fall, I fall into your arms…

Don’t be scare…
I’m here till the end
Bear with me
Hold on to me…

Ensaio sobre a humildade - Reflexão

A humildade não é algo que nasça connosco, é um processo de auto-conhecimento; como se nos colocássemos do avesso e nos sacudissem de toda a obsequente e mórbida altivez exortada pelo nosso competitivo instinto animal. Talvez seja mesmo um dos processos mais dolorosos pelo qual um ser humano passa. 

Quebram-se dogmas, acumulam-se desilusões e, pior, percebemos quão insignificante é a nossa carne! Contudo, percebemos que do pensamento nasce uma ideia, de uma ideia brotam correntes e das correntes incorre a diferença, aquela diferença que ansiamos fazer. Umas vezes na vida de pessoas que amamos, outras na vida de alguns e para alguns na vida de todos. É aqui que a nossa carne toma significado.

É da humildade que se extrai a simplicidade e o significado da vida. Então, porque é que custa tanto obtê-la?

Primeiro post: Ensaio sobre a humildade - Em fuga

dry my eyes

Dry my eyes
borrow me your shoulder
embrace me
push me forward

Times get harder
I don’t know why
each step forward
the past hits me back
and don’t let me go

Let’s live our freedom
let the world be our shelter
let’s follow through our glory
no one is able to destroy our castle

You know I’m yours
you know how to carry me along
you know you mean the world to me
let me go with you 
wherever you go, I’ll go too

I know you’re with me
I know we are strong
I know we’ll make it through
I know…

All I ask tonight
dry my eyes
borrow me you shoulder 
embrace me
make tomorrow come

Por que chove

Pela vida tentam-se evitar chuvas, aguaceiros, temporais e, mais que tudo, dilúvios.

Parece que uma savana árida é mais aprazível do que uma verdejante floresta tropical. Trocam-se leopardos por escorpiões, primatas por dromedários e tucanos por abutres. Todavia, nunca escaparemos às cobras. Elas existem até nos locais mais inóspitos, sempre camufladas à espera do momento certo para soltarem o seu veneno em nós ou para nos esmagarem. Se nada fizermos somos engolidos vivos e acabaremos em seus sucos gástricos… 

Ainda assim, alguns preferem ter um amplo horizonte, onde assumem que conseguem ver os perigos, a direcção para onde caminham e poucas e curtas tempestades. Outros não têm possibilidade de escolha, vão para onde a vida os levar, enquanto poucos não trocam a floresta por nada. Prefiro um local abastado de alimentos, cheio de animais exóticos coloridos, onde cada batalha é um passo em frente e onde chove com abundância… A floresta é linda e perigosa!

As tempestades são mais que necessárias. O vento leva os nossos mui belos ornamentos, enquanto a chuva extingue o volume do cabelo, cola as roupas ao corpo e lava-nos da cosmética com a qual nos cobrimos. A cada tempestade descobrimos um pouco mais de quem nós somos, um pouco mais de quem vai a nosso lado e os locais nos quais podemos confiar.

As tempestades ensinam-nos a sobreviver, a ser mais e melhor, enquanto a chuva… a chuva acompanha-nos… Porque chorar à chuva é não chorar sozinho, o mundo chora connosco… 

"

Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

"

— Sophia de Mello Breyner, 1967, in Geografia, 20-21.

A hipoteca de um pai

Dão-nos alma e atiram-nos de gaiatos para uma embarcação náutica com a esperança que passemos mais tempo atracados ao porto do que em mar alto. Nada pode ser mais absurdo e paralelamente tão mágico, é uma esperança parda. 

Quando recebemos a notícia que vamos ser pais, o coração acelera vertiginosamente, quebrando o septo que o divide em busca da divina harmonização entre o sangue venoso e o arterial. Um coração unido mas que nos inquina a razão. É dele que nasce a obsessão totalitarista que autoritariamente nos passa a dominar por completo. Possuídos pelo “é tudo tão bom e maravilhoso” e do necessário para que tudo ocorra de acordo, abstraímo-nos de todas as variáveis que nunca iremos controlar. Sejamos realistas, tem tudo para dar errado e não existe qualquer possibilidade de dar certo! Porque dar certo no coração de um pai é o nosso filho nunca sofrer, vivendo em absoluta felicidade e realização.