Ensaio sobre a humildade - Reflexão

A humildade não é algo que nasça connosco, é um processo de auto-conhecimento; como se nos colocássemos do avesso e nos sacudissem de toda a obsequente e mórbida altivez exortada pelo nosso competitivo instinto animal. Talvez seja mesmo um dos processos mais dolorosos pelo qual um ser humano passa. 

Quebram-se dogmas, acumulam-se desilusões e, pior, percebemos quão insignificante é a nossa carne! Contudo, percebemos que do pensamento nasce uma ideia, de uma ideia brotam correntes e das correntes incorre a diferença, aquela diferença que ansiamos fazer. Umas vezes na vida de pessoas que amamos, outras na vida de alguns e para alguns na vida de todos. É aqui que a nossa carne toma significado.

É da humildade que se extrai a simplicidade e o significado da vida. Então, porque é que custa tanto obtê-la?

Primeiro post: Ensaio sobre a humildade - Em fuga

Ensaio sobre a humildade - Em fuga

Movemo-nos por entre os nossos hábitos mecânicos do cimo do nosso pedestal enquanto executamos o dia-a-dia. Entramos no supermercado e loucos falamos com as prateleiras que nos servem carne fresca, acabada de cortar. 

- Tem bife da vazia? É fresco e tenro?

- Sim, tenho esta peça. É para estufar?

- Queria uns 6 não muito grossos e com pouca gordura…

O afiar das facas incomoda-nos, a outra prateleira falante destroça em fatias o osso das costeletas com ruidosa violência, enquanto atende o nosso humano parceiro de supermercado. Ficamos descansados pois trata-se de uma loucura colectiva e subserviente às nossas vontades.

- É só?

- Obrigado!

Avançamos para a caixa e o código Morse da conta acaba com a notícia derradeira impressa, que se perpetua com 4 dígitos e um OK. À porta, está uma gélida e amarga senhora de cadeira de rodas com a mão estendida e lábios cerrados. Sua expressão são apenas olhares dirigidos embora vazios. Nem a esperança mora em tão inóspita alma…  

"Há pessoas que mudam de vida e há pessoas que mudam a vida da Humanidade…"

— Bruno Matos Tavares

"Só tenho medo que o céu nos caia em cima da cabeça."

— Abracourcix, chefe da aldeia gaulesa dos livros de Asterix

"The warrior doesn’t care if he’s called a beast or a dog; the main thing is winning."

— Asakura Norikage

Ano Velho

Duas vezes por ano entro em profunda depressão. A primeira é no meu aniversário e a segunda é no final do ano. Não me considero uma pessoa deprimida, pois normalmente as minhas “depressões” duram umas horas, no máximo um dia, e com muito pouca frequência. Não é o caso das datas que assinalei. Nestas datas a depressão pode durar um pouco mais…

Sempre me perguntei pelo porquê destas depressões. É verdade que são datas de retrospecção e devido à minha ânsia e sede por mais, não são fáceis de gerir! Por mais que os nossos nos digam que estamos bem, que somos novos, que temos tudo e bem mais do que esperavam… Não adianta de nada! Pois nestas situações nunca me interessou a perspectiva dos outros sobre mim, mas sim a minha visão da minha realidade, ainda que errada, distorcida ou até mesmo desproporcional! Lamento por mim, mas quero sempre mais e melhor… A cada dia tenho de ganhar alguma coisa, senão, alguma coisa tem de mudar. Por mais que tente, ainda não consegui mudar este traço de personalidade. Metaforicamente, digo que nasci guerreiro Espartano! Sem luta, futuro e sonho, nada nesta vida me aquece.

"Never give in - never, never, never, never, in nothing great or small, large or petty, never give in except to convictions of honour and good sense. Never yield to force; never yield to the apparently overwhelming might of the enemy."

— Sir Winston Churchill, Speech, 1941, Harrow School

Vamos renascer, lutar e vencer…

Peço-vos um pouco de paciência comigo.
Peço-vos que não vejam apenas o evidente.
Peço-vos que pensem com os vossos olhos, não com os olhos de outrem.
Peço-vos que abram vossos corações ao mundo.
Peço-vos que apanhem o próximo shuttle para fora do vosso mundo.
Peço-vos que busquem em vós a humanidade que nos trouxe até aos dias de hoje.
Peço-vos que hoje seja um dia de reflexão sobre a vossa vida e de todos aqueles que vos rodeiam.
Peço-vos que deambulem pelas ruas da vida e olhem para o lado.
Peço-vos que olhem para as caras das pessoas que vos rodeiam e fazem parte do mundo que habitam.
Peço-vos que não vos deixeis orientar pelo que todos escrevem e dizem.
Peço-vos que olhem para os vossos, e perguntem-se o que podem fazer melhor.
Peço-vos que vejam as vossas difiuldades como as dificuldades de todos.
Peço-vos que deixem a ganância em pró da vida. Haja a ganância de uma vida colectiva de generosidade. 
Peço-vos que deixem a vossa vida confortável de lado por 5 minutos e perguntem-se se são felizes.
Peço-vos que pensem se são felizes com outros seres humanos sem o que comer.
Peço-vos que pensem se são felizes com outros seres humanos a não saberem o que é o amor, o conforto de uma mãe, um abrigo…
Peço-vos que pensem se são felizes com moribundos nas nossas ruas.
Peço-vos que olhem para os vossos filhos e se gostavam que eles tivessem a vossa vida.

Tags: Homem vida vencer

Asfixia local = Castração intelectual

Quando vim do Porto em direcção a Lisboa, para além de severos motivos de carácter pessoal, existia algo no Porto que me asfixiava! Na altura pensava que era devido ao desafio profissional que o Porto me apresentava, cheguei a pensar que era a vida “pequena” que levava, depois pensei que era a cidade em si que era pequena demais para mim…

Tinha iniciado os meus 26 anos. Já era professor universitário, já tinha empregos - ainda que não muito remunerados - muito interessantes e o meu prestígio residia no Porto. Muitas pessoas olhavam para mim com factual reverência, pois comecei do -2 (menos dois) e com 26 anos atingira uma posição e um conhecimento com esforço próprio, não habitual para uma pessoa “main stream” e sem ajuda de terceiros.

Acusar, prender e até linchar = justiça?

Todos os residentes em Portugal partilham da mesma conjuntura político-económico-social. Verdade seja dita, que muitos cidadãos da Europa também… Por esta conjuntura não ser a melhor, olhamos para trás procurando aqueles que nos parecem responsáveis. 

Acusamos, pedimos que os prendam e até fazemos linchamentos públicos. Apontamos o dedo. Escusado dizer que quando apontamos um dedo temos três a apontar para nós. 

Na verdade, procuramos conforto na “justiça” de ver estas pessoas a responderem perante nós sobre as suas acções que eventualmente são responsáveis. Alguns vão mais longe, não procuram somente o conforto, mas também que tal julgamento tenha repercussões no futuro. Um julgamento pedagógico! 

Se considero que caso haja causa ilícita estes devem responder? Claro! Mas não deveríamos nós, em conjunto, procurar o conforto num futuro colectivo melhor, na esperança de que amanhã a nossa dignidade não esteja em causa e na certeza que nossos filhos estarão bem? 

Para isso temos que lutar! Lutar por uma amanhã melhor. Para mim, isso sim é justiça perante os meus, as gerações futuras e perante os valores e educação que me deram. É de honra que falo. 

Não é por alguém não ter honra que devemos deixar de a ter ou de a ir buscar a esta Justiça. A Justiça fará o seu trabalho, ajudará no futuro, mas não remendará o passado. 

Que a Justiça tenha em si a mesma honra que escrevo, que tenha em sua posse todos os instrumentos que penalizem os prevaricadores e que pedagogicamente nos assegure um futuro mais justo.

Nós… Batemos o pé, ficamos, lutamos e venceremos. Caminho difícil e para muitos impossível? Sim, mas não há outro!!!