A humildade não é algo que nasça connosco, é um processo de auto-conhecimento; como se nos colocássemos do avesso e nos sacudissem de toda a obsequente e mórbida altivez exortada pelo nosso competitivo instinto animal. Talvez seja mesmo um dos processos mais dolorosos pelo qual um ser humano passa.
Quebram-se dogmas, acumulam-se desilusões e, pior, percebemos quão insignificante é a nossa carne! Contudo, percebemos que do pensamento nasce uma ideia, de uma ideia brotam correntes e das correntes incorre a diferença, aquela diferença que ansiamos fazer. Umas vezes na vida de pessoas que amamos, outras na vida de alguns e para alguns na vida de todos. É aqui que a nossa carne toma significado.
É da humildade que se extrai a simplicidade e o significado da vida. Então, porque é que custa tanto obtê-la?
Primeiro post: Ensaio sobre a humildade - Em fuga
Tenho dúvidas, muitas dúvidas. Dir-me-ão “Toda a gente as tem”, mas o que é que as dúvidas dos outros têm a ver com as minhas - perguntarei de seguida. Querem dizer-me que é normal? Sim, eu sei que é, embora estas dúvidas sejam tormentas que nos atrasam e por vezes nos paralisam.
As dúvidas são árvore caduca. Com o passar do tempo habituamo-nos a que as estações as levem e as tragam de volta. Por ventura assim, o Outono seja a nossa estação de eleição. Temperatura amena, sol quente na pele morena e folhas secas a caírem à medida que passeamos pelas alamedas da vida ornamentadas de calçada Portuguesa. Já dei por mim indeciso entre olhar para o chão, para o céu ou para a cúpula das árvores.
Movemo-nos por entre os nossos hábitos mecânicos do cimo do nosso pedestal enquanto executamos o dia-a-dia. Entramos no supermercado e loucos falamos com as prateleiras que nos servem carne fresca, acabada de cortar.
- Tem bife da vazia? É fresco e tenro?
- Sim, tenho esta peça. É para estufar?
- Queria uns 6 não muito grossos e com pouca gordura…
O afiar das facas incomoda-nos, a outra prateleira falante destroça em fatias o osso das costeletas com ruidosa violência, enquanto atende o nosso humano parceiro de supermercado. Ficamos descansados pois trata-se de uma loucura colectiva e subserviente às nossas vontades.
- É só?
- Obrigado!
Avançamos para a caixa e o código Morse da conta acaba com a notícia derradeira impressa, que se perpetua com 4 dígitos e um OK. À porta, está uma gélida e amarga senhora de cadeira de rodas com a mão estendida e lábios cerrados. Sua expressão são apenas olhares dirigidos embora vazios. Nem a esperança mora em tão inóspita alma…
Duas vezes por ano entro em profunda depressão. A primeira é no meu aniversário e a segunda é no final do ano. Não me considero uma pessoa deprimida, pois normalmente as minhas “depressões” duram umas horas, no máximo um dia, e com muito pouca frequência. Não é o caso das datas que assinalei. Nestas datas a depressão pode durar um pouco mais…
Sempre me perguntei pelo porquê destas depressões. É verdade que são datas de retrospecção e devido à minha ânsia e sede por mais, não são fáceis de gerir! Por mais que os nossos nos digam que estamos bem, que somos novos, que temos tudo e bem mais do que esperavam… Não adianta de nada! Pois nestas situações nunca me interessou a perspectiva dos outros sobre mim, mas sim a minha visão da minha realidade, ainda que errada, distorcida ou até mesmo desproporcional! Lamento por mim, mas quero sempre mais e melhor… A cada dia tenho de ganhar alguma coisa, senão, alguma coisa tem de mudar. Por mais que tente, ainda não consegui mudar este traço de personalidade. Metaforicamente, digo que nasci guerreiro Espartano! Sem luta, futuro e sonho, nada nesta vida me aquece.