Feliz Natal

Há coisas que se vão perdendo pela vida. Uma oportunidade aqui, um caminho ali… Nunca teremos tudo, já não somos crianças em que o encanto é tudo e a magia brota de tudo que é novo. Vive-se de “escolhas” baseadas em assumpções, queres e caprichos. 

Um embrulho ilumina os olhos, a proximidade tolhe a razão e o toque rebenta em excitação. Quantos de nós ainda sente assim? Quem é que ainda não perdeu a inocência e a ingenuidade? Vivemos de “o que interessa é a intenção” não por mal, mas porque já pouco nos encanta. Encanta-nos sermos mais e melhores. Se possível de todos que conhecemos. Status quo, sucesso, épicos planos e reverência. Isto enche-nos o ego e pelo ego é que vamos. Leva décadas a voltarmos a sermos crianças de novo. Isto eventualmente deve chegar quando somos avós e os nossos netos ficam assim perante uma prenda nossa. Aquele sorriso maroto é nosso.

Tudo tem um preço

Quando um guerreiro empunha a sua espada sabe que sangue será vertido. Vai para as trincheiras por algo maior que ele próprio e que a morte. Vai, porque o depois será melhor. Esta é a força do seu punho… Este é o seu destino… Mudar o destino, vencendo…

Sacrificará todos que se atravessarem o seu caminho! Sacrificar-se-à sem hesitar. Com inteligência, táctica, força e determinação nada o fará parar. Impiedoso degolará gargantas gritantes, trespassará ventres vazios e decapitará esperanças de todos aqueles que o ousem enfrentar. Por isso vencerá. Seus inimigos temerão ao ouvir falar do seu nome. Épicas canções serão entoadas sobre as suas vitórias. Muitos se alistarão a seu lado. Vitória. O depois é indubitavelmente melhor!

No caminho, avisou da sua chegada com gritos estóicos permitindo a retirada. A muitos concedeu clemência. Aos capturados deu-lhes comida, tratamento e livre arbitro. Não permitiu saques, linchamentos nem actos hediondos. Foi implacável mas justo perante a sua demanda. Ainda assim, sangue foi derramado… Sangue esse que tolhe o chão que pisa afiando a lâmina de sua espada. Lágrimas de luto aumentaram a acidez dos que choram pelos do seu sangue, queimando-lhe a pele. Órfãos esticam-se por entre a vida e a morte reclamando a sua vida pela de muitos. Os seus ficaram em batalha deixando-lhe apenas tormentos que não o deixarão repousar…

Por que chove

Pela vida tentam-se evitar chuvas, aguaceiros, temporais e, mais que tudo, dilúvios.

Parece que uma savana árida é mais aprazível do que uma verdejante floresta tropical. Trocam-se leopardos por escorpiões, primatas por dromedários e tucanos por abutres. Todavia, nunca escaparemos às cobras. Elas existem até nos locais mais inóspitos, sempre camufladas à espera do momento certo para soltarem o seu veneno em nós ou para nos esmagarem. Se nada fizermos somos engolidos vivos e acabaremos em seus sucos gástricos… 

Ainda assim, alguns preferem ter um amplo horizonte, onde assumem que conseguem ver os perigos, a direcção para onde caminham e poucas e curtas tempestades. Outros não têm possibilidade de escolha, vão para onde a vida os levar, enquanto poucos não trocam a floresta por nada. Prefiro um local abastado de alimentos, cheio de animais exóticos coloridos, onde cada batalha é um passo em frente e onde chove com abundância… A floresta é linda e perigosa!

As tempestades são mais que necessárias. O vento leva os nossos mui belos ornamentos, enquanto a chuva extingue o volume do cabelo, cola as roupas ao corpo e lava-nos da cosmética com a qual nos cobrimos. A cada tempestade descobrimos um pouco mais de quem nós somos, um pouco mais de quem vai a nosso lado e os locais nos quais podemos confiar.

As tempestades ensinam-nos a sobreviver, a ser mais e melhor, enquanto a chuva… a chuva acompanha-nos… Porque chorar à chuva é não chorar sozinho, o mundo chora connosco… 

"A liberdade de escolha é um direito de todos, mas só alguns a exercem com elegância."

— Honorè de Balzac

Não! Não me calarão…

Nasci em 1983, no século XX. Cresci em frente à televisão e na rua a andar de bicicleta com os meus primos. Nos desenhos animados encontrei a fantasia, nos filmes a força dos heróis e nos documentários o sonho de que a ciência é o caminho comum que dilui a ambivalência da nossa condição humana. 

Um dia quis ser astronauta, sentir a ausência de gravidade, descobrir, ir mais longe do que a imaginação. Um dia quis ser piloto de avião a jacto, ultrapassar os limites da velocidade e sentir a liberdade da vertigem. Um dia quis ser pintor para imortalizar o que ia dentro de mim em cores de carácter vincado. Um dia quis ser escritor, mudar o mundo com a Palavra arrancando o melhor de cada um de nós. Um dia quis ser engenheiro genético para curar o mundo. Um dia quis ser político para mudar o meu país, dar oportunidade para que cada um se transcenda em prol de todos nós. Um dia quis ser gestor, chefe… para ter dinheiro e poder demonstrando o meu valor. Um dia quis ser engenheiro de polímeros, diziam que era um emprego com saída. Um dia quis ser engenheiro informático… e sou… 

A mediocridade

A mediocridade brota da mais profunda e vil miséria de princípios e valores!

Acredito que a mediocridade é uma opção que cada um de nós toma para si. Não é algo que nasce connosco, não é inevitável, nem fatalidade do destino ou da sociedade… Acredito ainda, uma vez tolhidos pela mediocridade, não mais possa ser expurgada. Seus tinidos jamais deixaram de atormentar. Ser medíocre é viver sós até ao fim dos dias.   

Falo da mediocridade pessoal, do espírito… Aquela que leva à desfiguração pessoal, da pessoa que sempre sonhámos ser e não mais conseguiremos ser. Aquela que nos corrói por dentro e que tentamos ofuscar com retórica e glamour. É quando nos perdemos dentro de nós mesmos sem retorno. 

A recomendação pode ser uma inspiração

Passe a citação bíblica, ”nem só de pão vive o Homem” assim como “nem só de ordenado vive o profissional”. 

Durante a minha vida profissional, já conta com 10 anos, por todo o lugar pelo qual passei fui sempre recebendo elogios e cumprimentos. Quando consideramos este elogios e cumprimentos justos e nivelados pelas acções que fazemos, sentimos uma lufada de ar fresco e vontade de fazer mais e melhor. 

A recomendação que até à data mais me marcou foi de um colega de curso, que nunca conheci pessoalmente, mas ao qual respondi a um e-mail seu sem qualquer noção ou previsão de qual seria o seu impacto. 

Vamos renascer, lutar e vencer…

Peço-vos um pouco de paciência comigo.
Peço-vos que não vejam apenas o evidente.
Peço-vos que pensem com os vossos olhos, não com os olhos de outrem.
Peço-vos que abram vossos corações ao mundo.
Peço-vos que apanhem o próximo shuttle para fora do vosso mundo.
Peço-vos que busquem em vós a humanidade que nos trouxe até aos dias de hoje.
Peço-vos que hoje seja um dia de reflexão sobre a vossa vida e de todos aqueles que vos rodeiam.
Peço-vos que deambulem pelas ruas da vida e olhem para o lado.
Peço-vos que olhem para as caras das pessoas que vos rodeiam e fazem parte do mundo que habitam.
Peço-vos que não vos deixeis orientar pelo que todos escrevem e dizem.
Peço-vos que olhem para os vossos, e perguntem-se o que podem fazer melhor.
Peço-vos que vejam as vossas difiuldades como as dificuldades de todos.
Peço-vos que deixem a ganância em pró da vida. Haja a ganância de uma vida colectiva de generosidade. 
Peço-vos que deixem a vossa vida confortável de lado por 5 minutos e perguntem-se se são felizes.
Peço-vos que pensem se são felizes com outros seres humanos sem o que comer.
Peço-vos que pensem se são felizes com outros seres humanos a não saberem o que é o amor, o conforto de uma mãe, um abrigo…
Peço-vos que pensem se são felizes com moribundos nas nossas ruas.
Peço-vos que olhem para os vossos filhos e se gostavam que eles tivessem a vossa vida.

Tags: Homem vida vencer

Acusar, prender e até linchar = justiça?

Todos os residentes em Portugal partilham da mesma conjuntura político-económico-social. Verdade seja dita, que muitos cidadãos da Europa também… Por esta conjuntura não ser a melhor, olhamos para trás procurando aqueles que nos parecem responsáveis. 

Acusamos, pedimos que os prendam e até fazemos linchamentos públicos. Apontamos o dedo. Escusado dizer que quando apontamos um dedo temos três a apontar para nós. 

Na verdade, procuramos conforto na “justiça” de ver estas pessoas a responderem perante nós sobre as suas acções que eventualmente são responsáveis. Alguns vão mais longe, não procuram somente o conforto, mas também que tal julgamento tenha repercussões no futuro. Um julgamento pedagógico! 

Se considero que caso haja causa ilícita estes devem responder? Claro! Mas não deveríamos nós, em conjunto, procurar o conforto num futuro colectivo melhor, na esperança de que amanhã a nossa dignidade não esteja em causa e na certeza que nossos filhos estarão bem? 

Para isso temos que lutar! Lutar por uma amanhã melhor. Para mim, isso sim é justiça perante os meus, as gerações futuras e perante os valores e educação que me deram. É de honra que falo. 

Não é por alguém não ter honra que devemos deixar de a ter ou de a ir buscar a esta Justiça. A Justiça fará o seu trabalho, ajudará no futuro, mas não remendará o passado. 

Que a Justiça tenha em si a mesma honra que escrevo, que tenha em sua posse todos os instrumentos que penalizem os prevaricadores e que pedagogicamente nos assegure um futuro mais justo.

Nós… Batemos o pé, ficamos, lutamos e venceremos. Caminho difícil e para muitos impossível? Sim, mas não há outro!!!