Nasci em 1983, no século XX. Cresci em frente à televisão e na rua a andar de bicicleta com os meus primos. Nos desenhos animados encontrei a fantasia, nos filmes a força dos heróis e nos documentários o sonho de que a ciência é o caminho comum que dilui a ambivalência da nossa condição humana.
Um dia quis ser astronauta, sentir a ausência de gravidade, descobrir, ir mais longe do que a imaginação. Um dia quis ser piloto de avião a jacto, ultrapassar os limites da velocidade e sentir a liberdade da vertigem. Um dia quis ser pintor para imortalizar o que ia dentro de mim em cores de carácter vincado. Um dia quis ser escritor, mudar o mundo com a Palavra arrancando o melhor de cada um de nós. Um dia quis ser engenheiro genético para curar o mundo. Um dia quis ser político para mudar o meu país, dar oportunidade para que cada um se transcenda em prol de todos nós. Um dia quis ser gestor, chefe… para ter dinheiro e poder demonstrando o meu valor. Um dia quis ser engenheiro de polímeros, diziam que era um emprego com saída. Um dia quis ser engenheiro informático… e sou…
Não acredito que os Mercados de auto-regulem per si. Não acredito em Mercados que per si assumam o princípio de bem social, ainda que no final do dia necessitem deste para sobreviver. A realidade pela qual passamos é um claro e exaustivo exemplo onde a economia, puramente baseada em aspectos financeiros, demonstra que os Mercados têm uma relação de parasitismos com a sociedade, em vez de uma relação de mutismo. Desculpem-me, mas não gosto de ser hospedeiro nem parasita, is not my business…
Como fui um dos que se insurgiu com a intervenção do Eng.º José Sócrates parece-me justo responder, ainda que certo estou que o Daniel Oliveira não irá ler a minha resposta.
O artigo de opinião que me estou a referir é “Sócrates disse o óbvio”. (http://aeiou.expresso.pt/socrates-disse-o-obvio=f693659)
Vamos por partes:
“As dívidas dos Estados são, por definição, eternas. As dívidas gerem-se.” São eternas porque, ao contrário das pessoas, os Estados não morrem. Nunca nenhum País decidiu ficar com as suas dívidas a zero. A questão é sempre e apenas se pode continuar a pagá-las. Se os juros praticados são suportáveis e o seu crescimento económico permite cobrir os custos da dívida. E por isso são geridas. O que José Sócrates disse, para qualquer pessoa minimamente informada e que esteja de boa-fé nem merece debate. Não é matéria de opinião e ou de confronto ideológico.