— Bruno Matos Tavares
— Ranciére, Jacques, [2003] O destino das imagens, Orfeu Negro, 2011: 173
— Eça de Queirós em Distrito de Évora
Em 1871 Eça de Queirós escreveu
Estamos perdidos há muito tempo…
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: “o país está perdido!”
Algum opositor do actual governo?… Não!
Tão actual… 2012 não é assim tão diferente de 1871…
Já vivi nesse país e não gostei
Eu nunca vivi neste país, mas também não quero viver…
Por Isabel do Carmo no jornal Público em 28-11-2011
O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar “verdade”, que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que… Não interessa.
— Meredith Grey on Grey’s Anatomy Season 3 Episode 13
— Abracourcix, chefe da aldeia gaulesa dos livros de Asterix
— Asakura Norikage

