Um Estado liberal mas com mão de ferro

Não acredito que os Mercados de auto-regulem per si. Não acredito em Mercados que per si assumam o princípio de bem social, ainda que no final do dia necessitem deste para sobreviver. A realidade pela qual passamos é um claro e exaustivo exemplo onde a economia, puramente baseada em aspectos financeiros, demonstra que os Mercados têm uma relação de parasitismos com a sociedade, em vez de uma relação de mutismo. Desculpem-me, mas não gosto de ser hospedeiro nem parasita, is not my business

O modelo socialista onde Portugal assentou desde 1974 é apenas a nata que cobre o “litroso” e espesso Estado neoliberal. A este modelo costumo apelidar de “socialismo romântico”, pois acreditamos que é sobre ele que construímos diariamente a nossa sociedade, mas na verdade o parasita está apenas camuflado. 

Acredito num Estado que não intervém directamente na economia, ou seja, não detém posições directas ou indirectas em empresas privadas, manipulando assim a economia. Acredito num Estado que assenta a sua acção em garantir saúde, educação e justiça para todos os seus. Acredito num Estado que, através da forte e pesada regulação, garante que os Mercados têm uma relação de mutismo com a sociedade, mercados económico-sociais. Este modelo é denominado por ordoliberalismo articulado com o liberalismo social, implementado pela Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial.

Os resultados estão à vista desarmada! Contudo, a Alemanha necessita de um mercado europeu financeiramente capaz de satisfazer a sua voraz economia, assim como o restante mercado mundial. Tentaram, e repito, tentaram implementar o mesmo modelo na Europa, mas rapidamente se transformaram em ditadores económicos e parasitas da economia europeia, por diversos motivos que não serão abordados neste post

Ontem, no Diário da República Portuguesa, o Governo atribuiu mais poderes ao Bando de Portugal (BdP). Os seus poderes de regulação foram amplificados, assim como aqueles que virão com a nova lei para a concorrência, segundo o modelo que hoje acredito ser o correcto. Devido ao meu cepticismo, vou adoptar a postura de S. Tomé, vendo para acreditar como é que tudo será implementado e os reais benefícios para nós.  

Acredito em mais Estado, um Estado com vara e cenoura…