Francisco Sá Carneiro tinha razão…

Francisco Sá Carneiro tinha razão, “não poderemos jamais consentir em trocar a autêntica democracia pluralista por um qualquer regime autoritário, ainda que socialista e imposto para “salvação nacional”“.
Não posso deixar de colocar em evidência, desde o início dos PECs seguindo-se o regime de austeridade que actualmente vivemos, não discuto sequer se é necessário ou não neste post, é um regime autoritário que não ouve o Povo; onde o Povo apenas serve e não é servido; e onde cada um de nós pode dizer o que disser, mas não pode não fazer o que lhe é ordenado. Pelo menos antes tínhamos a sensação do contrário…
De que vale a liberdade de expressão se não temos liberdade de acção? Mas será que de facto temos verdadeira liberdade de expressão? Não existir censura no que exprimimos não quer dizer que exista liberdade de expressão. Para existir verdadeira liberdade de expressão temos de ter acesso à informação e, conscientemente, exprimir o que pensamos. Mas também quantos de nós estão dispostos a isto? Não deveria a informação ter a mesma autonomia que a Justiça? Afinal, são dois pilares fundamentais da “autêntica democracia pluralista”!
Pluralidade significa que sobre determinado objecto de discussão existem várias opiniões. Na verdade, o que vejo é que nos tolham as opiniões e assim a pluralidade é empobrecida… Seguimos opiniões, não as emitimos… Os media estão agarrados ao dinheiro, pois dele necessitam para sobreviver. Dos que ainda são públicos, queixamo-nos que gastam muito dinheiro! Cortam-se secções de cultura, mitigam-se custos nos recursos humanos, condicionam-se editorialmente as notícias… Como é que assim pode existir uma “autêntica democracia pluralista”? A transparência incomoda, não é!!!
Portugal tem demasiados problemas estruturais de enorme envergadura, sendo que a resposta para cada 100 questões, 99 delas é dinheiro. Pelo menos é o que nos vendem… Acredito visceralmente que 99 das respostas é sentido de Estado, responsabilidade sob o bem-comum e humanismo.
Perdemos liberdade… Perdemos pluralidade intelectual… Fomos agarrados pelo poder económico pela calada… Não soubemos, não quisemos, não fomos capazes de dizer NÃO… Agora estamos manietados… Temos que pagar…
Talvez tenhamos mesmo de pagar, mas nunca, mas nunca trocar a “autêntica democracia pluralista” por nada. Pois se assim for, vendemos a alma por 10 moedas de prata!
A nossa democracia não é autêntica e não é de todo plural. Invertemos… Os princípios constitucionais são deturpados e usados para nos amarrarem à concordância das massas… Um claro exemplo é o Projecto de Lei 118/XII, onde o princípio é pagar quer se prevarique ou não…
Vivemos sob a ditadura do dinheiro com cheiro de democracia! Afinal, enquanto o Povo perde racionalidade e se rende ao “nada a fazer”, para alguns it’s just a great business…
Será que não há mesmo nada a fazer? Eu recuso-me determinantemente a aceitar que não há nada a fazer!!!
[…]
E um gesto puro
Coincidiu com a multidão
Que tudo esperava e descobriu
Que a razão de um povo inteiro
Leva tempo a construir[…]
Mas além disso
Um outro breve início
Deixou palavras de ordem
Nos muros da cidade
Quebrando as leis do medo
Foi mostrando os caminhos
E a cada um a voz
Que a voz de cada era
A sua voz
A sua voz