Lenda do Gigante Prometeu

Não posso deixar de partilhar esta lenda fantástica da mitologia grega! 

Diz a lenda que quando os deuses criaram o céu e a terra, com todas as plantas e animais, chegou à terra o gigante Prometeu (“aquele que pensa antes”), descendente dos Titãs, destronados por Zeus. Prometeu, com um pouco de argila e água, criou o homem à imagem dos deuses para que reinasse sobre a terra. Das almas dos animais escolheu algumas características que juntou à sua obra. Atena, a deusa da sabedoria, impressionada, insuflou no homem o espírito. Pouco depois os primeiros seres humanos começaram a multiplicar-se na terra, mas faltava-lhes as informações sobre a sua subsistência e sobre os assuntos divinos. Por esta razão, Prometeu ensinou aos homens todos os segredos da agricultura, da pesca, do comércio, da profecia, da astronomia e de tudo o que era necessário ao desenvolvimento da humanidade. Mas ainda lhes faltava o dom do fogo, que Zeus tinha negado aos homens. Então, Prometeu apanhou um ramo e aproximando-o do sol incendiou-o e trouxe o fogo à terra. Contrariado, Zeus arquitetou a sua vingança ordenando que se fizesse uma estátua de uma linda mulher, que os deuses dotaram de muitas qualidades, e a quem chamou Pandora, “a que tem todos os dons”. Zeus pediu a cada um dos deuses que criassem um malefício e guardou-os a todos numa caixa que Pandora levava nas mãos. Zeus tencionava unir Pandora a Epimeteu (“o que pensa depois”), irmão de Prometeu, e ordenou a Hermes que conduzisse Pandora à Terra até junto de Epimeteu. Diante dele, ela abriu a caixa dos malefícios que se espalharam por toda a Terra, enchendo-a de dor e de doença. Pandora fechou a caixa rapidamente, antes que se escapasse o único benefício que esta continha: a esperança.
Tinha chegado a hora de Zeus castigar Prometeu, mandando Hefesto e os seus servos Crato (“o poder”) e Bia (“a violência”) acorrentar o gigante a um despenhadeiro do Monte Cáucaso. Mandou depois uma águia devorar-lhe o fígado, que, por ser imortal, se regenerava continuamente, causando-lhe um grande sofrimento. O seu tormento prolongou-se por centenas de anos até que Hércules, com o consentimento de Zeus, matou a águia com uma pedra e libertou Prometeu das correntes. É então que Prometeu revela a Zeus uma profecia: se Zeus continuasse com os seus amores com Tétis, deles nasceria um filho que o destronaria. Assim sendo, Zeus abandonou Tétis, que casou com o mortal Peleu. Entretanto, Prometeu tornou-se imortal ao trocar o destino com o centauro Chiron e ocupou o seu lugar no Olimpo, para grande alegria do povo de Atenas, que via em Prometeu o grande benfeitor da humanidade, patrono das artes e das ciências.

sourcehttp://www.infopedia.pt/$lenda-do-gigante-prometeu

Todos os que sigam o caminho do bem comum, humanidade, honestidade e da rectidão não terão uma boa vida, mas em compensação terão uma vida boa. Uma vida sustentada pela honra! 

Devido à ignorância e miséria criadas pelo Homem, muitos não têm a literacia de vida para poderem escolher o seu caminho. Escolhem apenas ir um pouco mais para a direita ou para a esquerda, contudo, o caminho é estreito e o destino certo. 

Podem tentar não nos dar o fogo, podem achar que a esperança ainda reside na caixa de Pandora mas para o Homem verdadeiro, o fogo é a paixão e a esperança o amor genuíno. Esta é a argila e água da qual Prometeu nos moldou…

Deixo-vos com um poema que me acompanha desde os meus 14/15 anos de José Régio, o poeta da força!


Cântico Negro

“Vem por aqui” - dizem-me alguns com os olhos doces 
Estendendo-me os braços, e seguros 
De que seria bom que eu os ouvisse 
Quando me dizem: “vem por aqui!” 
Eu olho-os com olhos lassos, 
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) 
E cruzo os braços, 
E nunca vou por ali… 

A minha glória é esta: 
Criar desumanidade! 
Não acompanhar ninguém. 
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade 
Com que rasguei o ventre à minha mãe 

Não, não vou por aí! Só vou por onde 
Me levam meus próprios passos… 

Se ao que busco saber nenhum de vós responde 
Por que me repetis: “vem por aqui!”? 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos, 
Redemoinhar aos ventos, 
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, 
A ir por aí… 

Se vim ao mundo, foi 
Só para desflorar florestas virgens, 
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! 
O mais que faço não vale nada. 

Como, pois sereis vós 
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem 
Para eu derrubar os meus obstáculos?… 
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, 
E vós amais o que é fácil! 
Eu amo o Longe e a Miragem, 
Amo os abismos, as torrentes, os desertos… 

Ide! Tendes estradas, 
Tendes jardins, tendes canteiros, 
Tendes pátria, tendes tectos, 
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios… 
Eu tenho a minha Loucura ! 
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, 
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios… 

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. 
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; 
Mas eu, que nunca principio nem acabo, 
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! 
Ninguém me peça definições! 
Ninguém me diga: “vem por aqui”! 
A minha vida é um vendaval que se soltou. 
É uma onda que se alevantou. 
É um átomo a mais que se animou… 
Não sei por onde vou, 
Não sei para onde vou 
- Sei que não vou por aí!

José Régio

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