Bruno Matos Tavares

Feb 16

Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem

” — Guimaes Rosa

Feb 15

“A liberdade de escolha é um direito de todos, mas só alguns a exercem com elegância.” — Honorè de Balzac

Feb 14

Caso de estudo: Pixmania no Facebook

Dou aulas de “Branding on Web” no IPAM, na pós-graduação Brand Management. Das primeiras coisas que ensino aos meus alunos é que as marcas não são das organizações, mas sim dos seus consumidores. Este é o princípio arquitectónico inalienável de todas as marcas. Quando não o são, desastres acontecem quando estes, pelo conceito de estarem onde os consumidores estão, caem de “pára-quedas” nas redes sociais. 

Há cerca de dois anos a Ensitel provou o doce fel das redes sociais. Hoje, tive conhecimento de um novo “caso” que está a ocorrer com a Pixmania e um dos seus clientes, a Maria Pedroto (disponível na página da Pixmania https://www.facebook.com/Pixmania.Portugal). 

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Feb 13

Não! Não me calarão…

Nasci em 1983, no século XX. Cresci em frente à televisão e na rua a andar de bicicleta com os meus primos. Nos desenhos animados encontrei a fantasia, nos filmes a força dos heróis e nos documentários o sonho de que a ciência é o caminho comum que dilui a ambivalência da nossa condição humana. 

Um dia quis ser astronauta, sentir a ausência de gravidade, descobrir, ir mais longe do que a imaginação. Um dia quis ser piloto de avião a jacto, ultrapassar os limites da velocidade e sentir a liberdade da vertigem. Um dia quis ser pintor para imortalizar o que ia dentro de mim em cores de carácter vincado. Um dia quis ser escritor, mudar o mundo com a Palavra arrancando o melhor de cada um de nós. Um dia quis ser engenheiro genético para curar o mundo. Um dia quis ser político para mudar o meu país, dar oportunidade para que cada um se transcenda em prol de todos nós. Um dia quis ser gestor, chefe… para ter dinheiro e poder demonstrando o meu valor. Um dia quis ser engenheiro de polímeros, diziam que era um emprego com saída. Um dia quis ser engenheiro informático… e sou… 

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“Há pessoas que mudam de vida e há pessoas que mudam a vida da Humanidade…” — Bruno Matos Tavares

Feb 12

Felicidade e Alegria

Não creio que se possa definir o homem como um animal cuja característica ou cujo último fim seja o de viver feliz, embora considere que nele seja essencial o viver alegre. O que é próprio do homem na sua forma mais alta é superar o conceito de felicidade, tornar-se como que indiferente a ser ou não ser feliz e ver até o que pode vir do obstáculo exactamente como melhor meio para que possa desferir voo. Creio que a mais perfeita das combinações seria a do homem que, visto por todos, inclusive por si próprio, como infeliz, conseguisse fazer de sua infelicidade um motivo daquela alegria que se não quebra, daquela alegria serena que o leva a interessar-se por tudo quanto existe, a amar todos os homens apesar do que possa combater, e é mais difícil amar no combate que na paz, e sobretudo conservar perante o que vem de Deus a atitude de obediência ou melhor, de disponibilidade, de quem finalmente entendeu as estruturas da vida.

Os felizes passam na vida como viajantes de trem que levassem toda a viagem dormindo; só gozam o trajecto os que se mantêm bem despertos para entender as duas coisas fundamentais do mundo: a implacabilidade, a cegueira, a inflexibilidade das leis mecânicas, que são bem as representantes do Fado, e cuja grandeza verdadeira só se pode sentir bem no desastre; é quando a catástrofe chega que a fatalidade se mede em tudo o que tem de divino, e foi pena que não fosse esta a lição essencial que tivéssemos tirado da tragédia grega; como pena foi que só tivéssemos olhado o fatalismo dos árabes pelo seu lado superficial.

Por outra parte, é igualmente na desgraça que se mede a outra grande força do mundo, a da liberdade do espírito, que permite julgar o valor moral no desastre e permite superar, pelo seu aproveitamento, o toque do fatal; não creio que Prometeu estivesse alguma vez verdadeiramente encadeado: talvez o estivesse antes ou depois da prisão; mas era realmente um espírito de liberdade e um portador de liberdade o que, agrilhoado a montanha, se sentiu mais livre ainda; porque podia consentir ou não no desastre, superá-lo ou não, ser alegre ou não. E este ser alegre não significa de modo algum a alegria daquele tipo americano de «Quebre uma perna e ria»; acho que eram muito mais alegres as pragas dos velhos soldados de Napoleão. No fundo é o seguinte: é necessário, ajudando a realizar o homem no que tem de melhor, que a mesma energia que se revelou pela física no mundo da extensão, se revele pelo espírito no mundo do pensamento e domine a primeira vaga de energia, como onda rolando sobre onda mais alto vai. E mais ainda: que pelo momento de infelicidade, o que não poderá nunca suceder no caso da felicidade, entenda o homem como as duas espécies ou os dois aspectos de energia se reúnem em Deus. Só por costume social deveremos desejar a alguém que seja feliz; às vezes por aquela piedade da fraqueza que leva a tomar crianças ao colo; só se deve desejar a alguém que se cumpra: e o cumprir-se inclui a desgraça e a sua superação.

” —

Agostinho da Silva, in ‘Textos e Ensaios Filosóficos’

fonte: http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200806200900&author=20238

Feb 11

Um Estado liberal mas com mão de ferro

Não acredito que os Mercados de auto-regulem per si. Não acredito em Mercados que per si assumam o princípio de bem social, ainda que no final do dia necessitem deste para sobreviver. A realidade pela qual passamos é um claro e exaustivo exemplo onde a economia, puramente baseada em aspectos financeiros, demonstra que os Mercados têm uma relação de parasitismos com a sociedade, em vez de uma relação de mutismo. Desculpem-me, mas não gosto de ser hospedeiro nem parasita, is not my business

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Feb 10

Enriquecimento ilícito é crime? Acabaram-se os pobres de Ferrari?

O PSD está a criminalizar o enriquecimento ilícito e já obteve a intenção de voto a favor do BE, PCP e CDS-PP. O PS vota contra, por uma questão de princípio constitucional da República Portuguesa, a necessidade imperativa do ónus da prova. 

Na verdade, o PS tem razão, ainda que se usem avançadas operações de cosmética linguística para ofuscar a real inversão do ónus da prova que esta iniciativa legislativa assume em si. A inversão do ónus da prova consiste na isenção de provar que determinado comportamento foi efectuado e que gerou ou manteve uma vantagem para esse alguém. Ou seja, em vez de se provar que alguém fez algo, esse alguém tem de provar que não o fez, o que por sua vez lhe retira de imediato o direito ao silêncio. 

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“um choque inicial que o transforma em refém do Outro, esse Outro indomável que no psiquismo individual, dá simplesmente pelo nome de processo primário. O afecto inconsciente que não penetra somente o espírito, mas que, mais propriamente, o abre, é o estrangeiro dentro de casa, sempre esquecido e cujo espírito deve esquecer até o esquecimento para se poder assumir como dono de si mesmo” — Ranciére, Jacques, [2003] O destino das imagens, Orfeu Negro, 2011: 173

Feb 09

“Hoje que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades? É disso que há-de vir a dissolução. Quando os meios faltarem e um dia se perderem as fortunas nacionais, o regime estabelecido cairá para deixar o campo livre ao novo mundo económico.” — Eça de Queirós em Distrito de Évora