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Sem sair [de Portugal] ninguém pode ser grande. Nascer pequeno, e morrer grande, é chegar a ser homem. […] Para nascer, pouca terra: para morrer, toda a terra: para nascer, Portugal: para morrer, o mundo. — Sermão de Padre António Vieira, Roma, 1670
Tenho dúvidas, muitas dúvidas. Dir-me-ão “Toda a gente as tem”, mas o que é que as dúvidas dos outros têm a ver com as minhas - perguntarei de seguida. Querem dizer-me que é normal? Sim, eu sei que é, embora estas dúvidas sejam tormentas que nos atrasam e por vezes nos paralisam.
As dúvidas são árvore caduca. Com o passar do tempo habituamo-nos a que as estações as levem e as tragam de volta. Por ventura assim, o Outono seja a nossa estação de eleição. Temperatura amena, sol quente na pele morena e folhas secas a caírem à medida que passeamos pelas alamedas da vida ornamentadas de calçada Portuguesa. Já dei por mim indeciso entre olhar para o chão, para o céu ou para a cúpula das árvores.
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“O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa
Não deixem de ler este fabuloso texto sobre o Acordo Ortográfico. De ir às lágrimas:
Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .
É um fato que não se pronunciam .
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ?
A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo. — Anaïs Nin
Somos livres de fazer nossas escolhas mas prisioneiros das suas consequências. — Pablo Neruda (através de António Sabão)
Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer…, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!
fonte: autor desconhecido
Movemo-nos por entre os nossos hábitos mecânicos do cimo do nosso pedestal enquanto executamos o dia-a-dia. Entramos no supermercado e loucos falamos com as prateleiras que nos servem carne fresca, acabada de cortar.
- Tem bife da vazia? É fresco e tenro?
- Sim, tenho esta peça. É para estufar?
- Queria uns 6 não muito grossos e com pouca gordura…
O afiar das facas incomoda-nos, a outra prateleira falante destroça em fatias o osso das costeletas com ruidosa violência, enquanto atende o nosso humano parceiro de supermercado. Ficamos descansados pois trata-se de uma loucura colectiva e subserviente às nossas vontades.
- É só?
- Obrigado!
Avançamos para a caixa e o código Morse da conta acaba com a notícia derradeira impressa, que se perpetua com 4 dígitos e um OK. À porta, está uma gélida e amarga senhora de cadeira de rodas com a mão estendida e lábios cerrados. Sua expressão são apenas olhares dirigidos embora vazios. Nem a esperança mora em tão inóspita alma…
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou.
Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita.
O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas terminará e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor.