É Preciso Repensar a Nossa Vida
É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir… Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo.
Há coisas que se vão perdendo pela vida. Uma oportunidade aqui, um caminho ali… Nunca teremos tudo, já não somos crianças em que o encanto é tudo e a magia brota de tudo que é novo. Vive-se de “escolhas” baseadas em assumpções, queres e caprichos.
Um embrulho ilumina os olhos, a proximidade tolhe a razão e o toque rebenta em excitação. Quantos de nós ainda sente assim? Quem é que ainda não perdeu a inocência e a ingenuidade? Vivemos de “o que interessa é a intenção” não por mal, mas porque já pouco nos encanta. Encanta-nos sermos mais e melhores. Se possível de todos que conhecemos. Status quo, sucesso, épicos planos e reverência. Isto enche-nos o ego e pelo ego é que vamos. Leva décadas a voltarmos a sermos crianças de novo. Isto eventualmente deve chegar quando somos avós e os nossos netos ficam assim perante uma prenda nossa. Aquele sorriso maroto é nosso.
De cima de um murro julgamos ver o mundo mas para vivê-lo temos de ter os pés assentes no chão…
A vida persegue-nos até nos encurralar, espezinhar e nos maltratar… Expurgando-nos assim do orgulho, da soberba, da segurança e até mesmo do sorriso. Estes sãos os momentos quando nos sentimos perdidos ou que nos perdemos. Como é possível alguém se perder quando o caminho é tão rectilíneo, tão certo e tão bem delineado? Estúpido, não? Mas a verdade é que é mais fácil andar perdidos que na direcção certa. Tão fatal com a morte.
Pelo sonho é que vamos
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Encolhe-se e espreita por entre os dedos. Agachado vinca o queixo nos joelhos abertos de continuamente tropeçar. Acabara de rasgar o horizonte de tanto o esticar. Remendos não fazem parte da sua reguila condição.
Murmura épicas histórias onde poucos ganham a muitos pelo destino da perseverança, pela quentura da fé e pela força da alma. Franzino pergunta-se se poderá vencer. Descrente pergunta se a fé lhe vai valer. Treme perante a tenebrosa imensidão.
Galvaniza-se nas suas feridas e começa a correr.
Quando um guerreiro empunha a sua espada sabe que sangue será vertido. Vai para as trincheiras por algo maior que ele próprio e que a morte. Vai, porque o depois será melhor. Esta é a força do seu punho… Este é o seu destino… Mudar o destino, vencendo…
Sacrificará todos que se atravessarem o seu caminho! Sacrificar-se-à sem hesitar. Com inteligência, táctica, força e determinação nada o fará parar. Impiedoso degolará gargantas gritantes, trespassará ventres vazios e decapitará esperanças de todos aqueles que o ousem enfrentar. Por isso vencerá. Seus inimigos temerão ao ouvir falar do seu nome. Épicas canções serão entoadas sobre as suas vitórias. Muitos se alistarão a seu lado. Vitória. O depois é indubitavelmente melhor!
No caminho, avisou da sua chegada com gritos estóicos permitindo a retirada. A muitos concedeu clemência. Aos capturados deu-lhes comida, tratamento e livre arbitro. Não permitiu saques, linchamentos nem actos hediondos. Foi implacável mas justo perante a sua demanda. Ainda assim, sangue foi derramado… Sangue esse que tolhe o chão que pisa afiando a lâmina de sua espada. Lágrimas de luto aumentaram a acidez dos que choram pelos do seu sangue, queimando-lhe a pele. Órfãos esticam-se por entre a vida e a morte reclamando a sua vida pela de muitos. Os seus ficaram em batalha deixando-lhe apenas tormentos que não o deixarão repousar…
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. — Fernando Pessoa
Far better it is to dare mighty things, to win glorious triumphs even though checkered by failure, than to rank with those poor spirits who neither enjoy nor suffer much because they live in the gray twilight that knows neither victory nor defeat. — Theodore Roosevelt as quoted by Charles Elachi, JPL
Afinal, que é isto do amor?
Palavras bonitas e oportunas,
Vidas colhidas e engarrafadas,
Mutilação endógena,
Clausura visceral…
Cresces rodeado de sonhos e aventuras, por vezes consideradas loucuras, mas sabes que só assim a vida faz sentido para ti. Acreditas em ti, no que sentes e sabes tambem que o que te vai no coração não é apenas um sonho de menino, é a vontade de um ser que aos poucos se vai construindo e moldando. Sim, nem tudo será facil, nem todos os sonhos serão possíveis à primeira, mas aprendeste que o tempo é o melhor amigo do ser maduro e saber esperar é de facto uma grande virtude. Nem todas as portas devem ser abertas, muitas não nos acrescentam nada, no entanto se errares, presta atenção e não deixes passar essa experiência em vão, mas tambem não percas tempo. A vida segue e é teu dever ser feliz, por isso não tenhas medo de errar e nunca, mas nunca te arrependas de dizer “não”, pois só aí saberás perceber o que de facto te faz feliz e se tu não lutares por isso, mais ninguém o fará por ti. Aprende a viver por ti, pelo que acreditas e aceita quem te ama com o devido respeito por ti e pelo que és. Mudar por alguém é um erro, mudar por ti mesmo é uma grande atitude. Ama com todo o teu ser quem realmente quer o teu bem e te rouba apenas sorrisos, não importa como, mas se te faz sorrir, então agarra bem… — Fernando Loureiro